Estamos pensando diferente mesmo?

Eu gosto de contar historias, pois elas de alguma forma inspiram e nos fazem refletir acerca do meio que estamos envolvidos. Também gosto de colocar algumas pitadas dos assuntos que estudo e provar que a teoria, na pratica, funciona sim.

Recentemente terminei a leitura do livro “Design Thinking” do Tim Brown, CEO da IDEO, uma empresa de Design Industrial que fica em Palo Alto, Vale do Silício, EUA.

E me chamou a atenção o capitulo 4 (construindo para pensar – o poder da prototipagem), que nos ensina algumas ferramentas sobre como construir uma ideia por meio de protótipos.

Pois bem, em uma das minhas experiências profissionais atuando com Projetos de Engenharia, mais especificamente na área de Automação Industrial, por vezes fui considerado o cara “chato” no que dizia respeito à criação do Plano do Projeto, e realmente eu era, mas simplesmente por que eu observava que alguns profissionais, por mais que fossem extremamente competentes em suas atividades, sempre deixavam para trás detalhes importantes pressionados pelas principais restrições do projeto (tempo, escopo e custo).

Bem, geralmente, os profissionais que atuam na execução de projetos, não estão tão preocupados em detalhes de gestão, eles querem o que? Executar! Simples assim.

Infelizmente convivi com profissionais que algumas vezes não se preocupam em executar as suas atividades com um grau mínimo de qualidade ou com um pouco de inovação, pois eles já estão de certa forma em suas zonas de conforto e pensam que não precisam “fazer diferente” ou agregar valor ao resultado do trabalho.

Essa afirmação pode ser um pouco categórica e nem estou tentando estereotipar, mas tenho certeza que muitos irão concordar comigo.

Quando trabalhamos com empresas que vendem projetos, na maioria das vezes o projeto nasce na mão da área comercial, que em alguns casos, os profissionais que atuam nessa área nem técnicos são para poder dar a solução mais adequada ao cliente final, e isso pode prejudicar a entrega. Não estou julgando a equipe comercial, pois entendo que muitos profissionais altamente competentes “tecnicamente”, não tem aptidão para serem bons vendedores, e felizmente, precisamos de pessoas com tino e atitudes comerciais nos negócios.

Lembro que o principal guia para a montagem dos projetos que produzíamos, era uma especificação técnica e alguns desenhos em Autocad.

Destes documentos e reuniões, nasciam outros documentos, muito maiores e mais detalhados, alguns destes em Autocad também, que englobavam todas as informações que a equipe de execução (montagem), iria utilizar como guia.

Os desenhos aqui comentados podem ser comparados aos protótipos que falei acima, e por que estou dizendo isso?

Protótipo não é isso, você está viajando!

Pois é, pode ser que em alguns casos, os protótipos sejam caixas de papelão, peças de Lego, ou um monte de ferros soldados, mas especificamente neste caso, a projeção em Autocad já nos permitia a prototipagem.

Eu participava de grande parte das reuniões junto às equipes comerciais para entender tecnicamente o projeto com o objetivo de ajudá-los na concepção técnica da proposta comercial.

Naquele estágio, eu já criava um “esboço”, ou “protótipo”, para apresentar ao cliente final, pois entendia que “visualmente”, era mais fácil o entendimento de todos os envolvidos.

Vocês já pensaram que uma interface de software ou um site pode ser construído com vários Post-It’s antes mesmo de alguma linha de código ser escrita?

O que eu estou querendo dizer é que, independente da forma que desenvolvemos projetos, podemos utilizar e motivar a criatividade para a criação de “coisas diferentes”.

As expressões “Pensar fora da caixa” e “Think Different”, estão sendo muito utilizadas hoje em dia. Virou até slogan de empresas e está inspirando muitos executivos e empreendedores, mas eu vejo que isso tudo ainda é muito difícil de ser utilizado na prática.

Será que é o medo das mudanças? Medo do novo? Medo de arriscar? Falta de tempo? Falta de criatividade? Falta de conhecimento técnico?

Recentemente vi um vídeo no TED que passa uma mensagem muito clara sobre isso.
Todos nós nascemos criativos, mas a escola e o nosso trabalho, nos ensinam a perder a nossa criatividade.

É simples entender o que estou dizendo.

É só olhar para uma criança, que não tem medo de nada, pois ainda está conhecendo o mundo, e se questionar do como elas inventam as falas de seus heróis favoritos, inventam histórias para brincar, e isso tudo com os recursos que elas possuem (brinquedos, pedras e colheres) e claro, a sua imaginação.

Em estratégia fala-se tanto na construção de cenários prospectivos e nós que atuamos como planejadores, utilizamos dados de mercado, estudo de concorrentes e avaliações econômicas para construir um plano que direcionará os negócios nos próximos anos.

Já que o assunto é inovar e criatividade, será que não podemos utilizar técnicas cinematográficas e de teatro para criar um cenário fictício com os recursos que temos para entender o perfil de um determinado tipo de consumidor? Ou até mesmo buscar entender o comportamento das pessoas e criar estratégias de RH mais assertivas ao invés de ouvir somente o que especialistas estão falando na Harvard Business Review ou em Congressos pela desculpa de ir a um encontro ou viajar para fora do país?

O que podemos fazer com o pouco que temos indo em busca de um resultado mais assertivo usando a criatividade como meio de encontrar respostas?

Algo a se pensar, não?

Pois bem, aguardo o seu comentário!

Grande abraço!

Tags: , , , , , ,

Written by Francisco Albuquerque

Empresário, Business Designer da Agência de Cocriação, Especialista em Workshops de Desenvolvimento Organizacional e Humano pela abordagem do Business Model Generation e Design Thinking, Escritor do Blog da HSM e do Blog "a Nossa Geração Y", Músico e Cozinheiro nas horas vagas. @fbalbuquerque

3 Comments on "Estamos pensando diferente mesmo?"

  1. Luciene Costa disse:

    Gostei do texto….E é como dizem: “O essêncial é simples”

  2. Jean Mendes disse:

    Excelente matéria!
    Recentemente fiz um curso de Gerenciamento de Projetos e pude perceber, com mais detalhes o quando um projeto é importante para a conclusão de se objetivo. Foi primeiro contato com termos importantes em um projeto como, tempo, escopo e custo.
    A inovação é algo que realmente é pouco trabalhada nos meios educacionais e por nós mesmo, damos muita atenção ao que foi dito e feito e só pensamos em aplicar o ”pronto”, DEVEMOS PENSAR, TESTAR e INOVAR MAIS!

  3. Francisco Albuquerque disse:

    Olá Jean, obrigado pelo comentário! Inovar é isso, pensar e fazer diferente! Grande abraço!

Here's your chance to leave a comment!